INSS libera R$ 2,75 bi para 280 mil segurados

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O Conselho da Justiça Federal (CJF) autorizou em agosto de 2026 o repasse de R$ 2,75 bilhões em requisições de pequeno valor (RPVs) para cerca de 280 mil segurados do INSS que venceram ações na Justiça.
O dinheiro cobre atrasados de quem obteve sentença definitiva em processos de concessão ou revisão de aposentadoria judicial. Cada beneficiário pode receber até R$ 97.260, teto da RPV previdenciária, equivalente a 60 salários mínimos.
Neste artigo, você confere quem tem direito, quando o valor cai na conta judicial, como consultar o pagamento no TRF da sua região e o que fazer para sacar os atrasados do INSS sem complicação.
Erros cadastrais que travam o saque dos atrasados
A vitória na ação previdenciária não garante o dinheiro na mão. Mesmo com o trânsito em julgado e a expedição da RPV previdenciária, falhas simples de cadastro podem bloquear o levantamento dos atrasados por meses.
Conta bancária encerrada é um dos entraves mais frequentes. Processos previdenciários costumam durar anos, e o segurado muitas vezes fecha a conta informada no início da ação. Quando o depósito judicial não encontra destino válido, o valor fica retido até a regularização junto ao TRF responsável.
Dados bancários desatualizados no sistema do tribunal produzem efeito parecido. Se o CPF, a agência ou o número da conta não conferem, a Caixa ou o Banco do Brasil devolvem a ordem de pagamento. O segurado precisa então peticionar nos autos para corrigir as informações, o que atrasa o saque.
Procuração vencida ou com poderes insuficientes também trava o recebimento. Para levantar valores em nome do cliente, o advogado precisa de poderes expressos para receber e dar quitação. Instrumentos antigos, sem essa previsão, obrigam a juntada de nova procuração antes da liberação.
A recomendação é conferir os dados cadastrais antes da expedição da requisição de pequeno valor, e não depois do depósito frustrado.
Quem já venceu a ação deve consultar o andamento do pagamento no portal do TRF da sua região e verificar se a conta judicial foi aberta corretamente. Detectar o erro cedo evita que os atrasados do INSS fiquem parados em conta bloqueada.
O que acontece com o RPV se o segurado morrer antes do saque
O falecimento do beneficiário não faz o dinheiro desaparecer. O valor depositado na conta judicial passa a integrar o patrimônio deixado pelo segurado, e os herdeiros precisam se habilitar no processo para receber os atrasados do INSS reconhecidos por sentença.
O caminho depende do montante e da situação da família. Em quantias menores, o juiz costuma autorizar a liberação por alvará judicial, procedimento mais rápido e barato. Quando há outros bens ou valores expressivos, a regra é incluir o crédito no inventário, judicial ou extrajudicial.
Há um risco frequentemente ignorado: o prazo. Valores de RPV previdenciária não sacados podem ser cancelados e devolvidos, exigindo novo pedido de expedição ao TRF.
Em nossa experiência com ações previdenciárias, explica o advogado Hilário Bocchi Junior, do Bocchi Advogados, famílias que demoram a tomar providências tendem a enfrentar etapas adicionais e meses extras de espera para reaver o crédito.
Por isso, ao identificar o depósito em nome de parente falecido, a família deve reunir certidão de óbito, documentos dos herdeiros e cópia do processo, e procurar orientação jurídica antes de qualquer prazo se esgotar.
Entre outros casos envolvendo verbas devidas a herdeiros, o portal trabalhista do grupo traz orientações complementares sobre habilitação de sucessores em créditos judiciais.
Como confirmar se seu nome está neste lote de agosto
A consulta é feita no site do Tribunal Regional Federal responsável pelo processo, do TRF-1 ao TRF-6. Na área de requisições de pagamento, o segurado informa CPF, número do processo ou registro OAB do advogado para verificar se a RPV previdenciária entrou na liberação.
Vale conferir primeiro com o advogado que conduziu a ação, já que ele acompanha a fase de pagamento e sabe em qual tribunal tramita a requisição. Quem discute aposentadoria por tempo de contribuição na Justiça costuma receber os atrasados exatamente por esse caminho.
Dois tribunais reúnem a maior fatia do dinheiro destinado ao INSS neste repasse: TRF-1 e TRF-4 somam mais de R$ 1,4 bilhão. Segurados dessas regiões, portanto, têm chance maior de encontrar o depósito já disponível na conta judicial.
Alerta: escritórios cobram para ‘agilizar’ saque de RPV
Quem venceu uma ação previdenciária com trânsito em julgado não precisa contratar nenhum serviço extra para receber os atrasados do INSS. Após a expedição da requisição de pequeno valor, o depósito na conta judicial ocorre de forma automática, sem taxa de liberação, desbloqueio ou antecipação.
O Dr. Hilário Bocchi Júnior alerta que golpistas se aproveitam justamente da fase pós-sentença. Falsos advogados e supostos despachantes ligam para o segurado prometendo acelerar o saque da RPV previdenciária mediante pagamento antecipado. Nenhum tribunal ou banco cobra valores para liberar o dinheiro já autorizado pelo CJF.
A única remuneração legítima são os honorários contratuais já acordados com o advogado que conduziu o processo, geralmente descontados do próprio valor recebido. Desconfie de contatos por telefone ou WhatsApp pedindo Pix, boleto ou dados bancários. Em caso de dúvida, consulte seu advogado.
Práticas abusivas contra o consumidor e o segurado podem gerar responsabilização civil de quem as pratica. Para entender como a Justiça trata condutas lesivas desse tipo, veja este conteúdo sobre danos morais.
Próximo passo: acompanhe o cronograma do seu TRF
Cada Tribunal Regional Federal define as próprias datas para depositar as RPVs previdenciárias. Por isso, o segurado que venceu ação de revisão ou concessão deve consultar o portal do TRF de sua região, na área de consulta de pagamento, usando o número do processo ou o CPF.
O valor não cai direto na conta corrente de uso diário. O depósito fica em conta judicial aberta na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil e só pode ser sacado após liberação expressa do tribunal. Compareça à agência com documento de identidade ou verifique com seu advogado se há alvará disponível.
Quem ainda aguarda o trânsito em julgado de sua ação previdenciária, ou pretende revisar o benefício, ganha ao entender as regras antes de agir. Para conhecer os requisitos atuais, veja o guia sobre aposentadoria por idade.
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