Estudo indica que filhos são principais responsáveis por violência contra idosos

Entre 2020 e 2023, foram registradas no Brasil 408.395 denúncias de violência contra idosos, revelando um grave problema social. Um estudo recente conduzido pelas pesquisadoras Alessandra Camacho, da Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense (UFF), e Célia Caldas, da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), revela que os filhos são os principais agressores, muitas vezes cometendo os atos de violência dentro das residências das próprias vítimas.

A pesquisa analisou notificações de casos suspeitos ou confirmados de violência contra indivíduos com 60 anos ou mais, utilizando dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, além de informações do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. Em 2022, observou-se um aumento de quase 50 mil casos de agressão em relação ao ano anterior. Segundo o estudo, este crescimento reflete um aumento nas denúncias, não necessariamente um aumento nas ocorrências.

 

Perfil dos agressores

A análise do perfil dos agressores revelou que os filhos são os principais suspeitos, representando 47,78% dos casos em 2020; 47,07% em 2021; 50,25% em 2022; e 56,29% em 2023. A maioria das denúncias envolvia violência ocorrida na residência compartilhada entre vítima e agressor ou na casa da própria vítima. A pandemia de Covid-19 também foi identificada como um período de aumento nos casos de violência.

O estudo também destacou a vulnerabilidade crescente entre idosos de 80 anos ou mais, com 34% das denúncias em 2023 envolvendo essa faixa etária. Revelou ainda que mulheres idosas são mais suscetíveis à violência, representando mais de 67% das denúncias ao longo dos três anos analisados, com um pico de quase 70% em 2022. A desigualdade de gênero se intensifica durante o envelhecimento, aumentando a vulnerabilidade das mulheres.

 

Raça e escolaridade

Em termos de raça, a população branca foi a mais atingida pela violência, seguida pela população parda, que apresentou um aumento percentual significativo, atingindo 31,30% dos casos em 2022. O estudo também analisou a relação entre violência e níveis de escolaridade e renda. Embora a baixa escolaridade e renda aumentem a vulnerabilidade, níveis elevados de instrução e renda não necessariamente protegem os idosos da violência, já que muitos evitam buscar apoio através da denúncia.

Geograficamente, a região Sudeste do Brasil apresentou o maior número de registros, com 53% dos casos, seguida pela região Nordeste, com 19,9% das denúncias.

 

Como denunciar

Vítimas, familiares ou qualquer pessoa que presencie abusos contra idosos devem denunciar às autoridades competentes, como delegacias especializadas, o Ministério Público ou o Disque 100 (Disque Direitos Humanos).

O Disque 100 funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, e recebe denúncias de violações, fornece informações e orienta a sociedade sobre seus direitos. As denúncias também podem ser feitas on-line no site da Ouvidoria (https://falabr.cgu.gov.br/web/home), pelo WhatsApp (61) 99611-0100 ou Telegram. Denúncias também podem ser feitas junto a Polícia Militar e nos Conselhos Municipais do Idoso de cada cidade.

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