Se tem um CID que consegue mudar a vida de uma pessoa, este é o CID AVC. Quem passa pelo susto de um derrame sabe que o dia seguinte é cheio de dúvidas e medos. A gente olha para o familiar na cama do hospital e se pergunta: “Será que ele vai voltar a andar? Vai conseguir falar? Como vamos pagar as contas se ele não puder mais trabalhar?”.
O Acidente Vascular Cerebral (o popular derrame) chega sem avisar e, muitas vezes, deixa marcas profundas. Para o trabalhador que sempre garantiu o sustento da casa, a perda da força em um lado do corpo ou a dificuldade na fala não é apenas um problema de saúde, é um problema de dignidade e sobrevivência.
CID AVC: entendendo o que os médicos escrevem
Quando você recebe a alta ou os laudos médicos, é comum ver termos técnicos, como CID dispneia, por exemplo. O médico anota o CID AVC para confirmar que houve uma lesão no cérebro por falta de sangue ou por um sangramento.
Muitas pessoas pesquisam na internet por avc cid para tentar entender a gravidade do que aconteceu. Mas o mais importante não é o código em si, e sim o tamanho do estrago que ele fez. O INSS não paga benefício pelo nome da doença, mas pelo que a doença impede você de fazer.
Se o derrame foi leve e a pessoa se recuperou 100% em poucas semanas, a vida segue normal. Mas se ficaram sequelas que impedem o trabalho, aí sim os direitos previdenciários entram em cena para proteger a renda da família.

Os tipos de derrame e a gravidade
Existem formas diferentes de o problema acontecer. O tipo mais comum é quando uma veia entope e o sangue não passa, o que os médicos chamam de cid avc isquêmico. Nesse caso, uma parte do cérebro fica sem oxigênio e para de funcionar.
Dependendo da área afetada, a pessoa pode perder o movimento do braço, da perna ou a fala. O perito do INSS vai olhar exatamente isso. Se você trabalha como motorista e perdeu a visão periférica ou a força na perna por causa do CID AVC, é impossível continuar dirigindo. A incapacidade para a profissão é óbvia.
Outras vezes, o laudo pode trazer termos variados como avc isquemico cid, mas o raciocínio é o mesmo: o perito quer saber se você consegue vestir a camisa, comer sozinho e, principalmente, exercer a sua função de trabalho.
Aposenta na hora ou tem que esperar?
Essa é a pergunta de um milhão de reais: o CID AVC aposenta imediatamente? A resposta honesta é: raramente. O INSS costuma seguir um processo de etapas.
Primeiro, você entra no Auxílio por Incapacidade Temporária (o antigo auxílio-doença). Por quê? Porque muitos pacientes melhoram muito com fisioterapia e fonoaudiologia nos primeiros meses. O cérebro tem uma capacidade incrível de reaprender.
O governo te dá esse tempo (pago) para você tentar se recuperar. Se, após meses ou anos de tratamento, ficar provado que a recuperação não aconteceu e a sequela é definitiva, aí sim o benefício pode ser transformado em aposentadoria por invalidez.
Quando a sequela vira a regra
Se o tempo passou, você fez tudo o que os médicos mandaram e mesmo assim não consegue voltar ao trabalho, o diagnóstico muda de foco. O médico pode passar a usar o código cid sequela de avc (geralmente I69).
É nesse momento que a Aposentadoria por Incapacidade Permanente fica mais próxima. O perito do INSS entende que o quadro “estabilizou”, ou seja, não vai ter grandes melhoras, mas também não vai piorar.
Para quem tem CID AVC com sequelas graves — como ficar acamado, usar fraldas ou cadeira de rodas —, a aposentadoria deve ser concedida. Além disso, se a pessoa precisar de ajuda permanente de um cuidador para tudo (comer, banhar), ela tem direito a um acréscimo de 25% no valor da aposentadoria.
O que levar para a perícia não dar errado?
O erro de muita gente é chegar na perícia do CID AVC de mãos vazias ou só com um atestado velho. Você precisa provar a sua condição atual.
- Exames de Imagem: Leve a Tomografia ou Ressonância que mostrou o derrame na época.
- Laudo Atualizado: Peça para o neurologista escrever como você está hoje. Exemplo: “Paciente com hemiplegia (paralisia) à direita, dificuldade de fala e marcha instável”.
- Receitas e Comprovantes: Mostre que você toma os remédios para pressão ou afinar o sangue e que faz fisioterapia.
Não tente fingir na perícia. Se você arrasta a perna, arraste. Se fala enrolado, fale do seu jeito. O perito precisa ver a realidade nua e crua que o CID AVC deixou na sua vida.

E quem nunca pagou INSS?
Se o derrame aconteceu com alguém que não tem carteira assinada ou não paga o carnê, existe o caminho do BPC/LOAS. Nesse caso, as sequelas do derrame são vistas como uma deficiência física.
Se a família for de baixa renda, o governo paga um salário mínimo para ajudar nos custos. O CID AVC é muito comum nos pedidos de BPC, pois muitas vezes atinge idosos que já não estavam mais no mercado de trabalho formal.
O derrame é um golpe duro, mas não é o fim da linha. O CID AVC é reconhecido pela lei como uma das maiores causas de incapacidade no Brasil.
Você tem direito de se tratar com calma, recebendo o auxílio-doença e se negarem isso para você, conte com a ajuda de um bom advogado de previdência.
E se a marca da doença for para sempre, a aposentadoria é o seu direito de descansar com dignidade. Organize seus papéis, tenha paciência com a reabilitação e busque o amparo que você merece.













