CID acidente de trabalho é o termo que usamos para identificar os códigos médicos que provam que a sua lesão ou doença não veio do nada, mas sim do seu serviço. Quando um trabalhador se machuca na empresa ou adoece por causa das condições ruins do ambiente, a vida vira de cabeça para baixo.
Para quem já tem mais de 50 anos, essa situação é ainda mais delicada. O corpo demora mais para recuperar e o mercado de trabalho não costuma ter paciência.
Por isso, é fundamental saber que a lei trata quem se machuca trabalhando de forma muito diferente de quem adoece por causas comuns. Você tem direitos especiais, estabilidade e até indenizações que podem garantir seu futuro.
Entendendo os códigos do CID acidente de trabalho
Muitas pessoas acham que existe um único CID acidente de trabalho, mas na verdade, são vários. Geralmente, os médicos usam dois tipos de código: um para a lesão (por exemplo, “S62” para fratura) e outro para a “Causa Externa” (códigos que começam com V, W, X ou Y).
São esses códigos de “causa externa” que dizem ao INSS que aquilo foi um acidente de trabalho. Por exemplo, se você caiu de um andaime, o médico anota a queda.
Se você desenvolveu LER/DORT por digitar muito, ele anota o esforço repetitivo. É essa “sopa de letrinhas” que transforma seu benefício comum em acidentário.
Quando o perito do INSS vê um laudo bem feito com o CID acidente de trabalho correto, ele deve conceder o benefício espécie B91. Esse código é o seu escudo. Ele diz para a empresa e para o governo: “Este trabalhador não teve culpa, ele se feriu produzindo riqueza para o patrão”.

Afastamento: Quem paga a conta?
Se o machucado for leve e você precisar de apenas alguns dias, a empresa paga seu salário e você volta. Mas se a lesão for grave e o atestado passar de 15 dias, você vai para o INSS.
Aqui, o CID acidente de trabalho faz toda a diferença. Enquanto você está afastado recebendo o auxílio-doença acidentário (B91), a empresa é obrigada a continuar depositando o seu FGTS todo mês. Isso não acontece em doenças comuns. É um dinheiro que vai acumulando na sua conta para o futuro.
Estabilidade: O medo da demissão
A maior proteção que o CID acidente de trabalho traz é a estabilidade no emprego. Pela lei, quem recebe auxílio-doença acidentário não pode ser demitido por 12 meses após voltar ao trabalho.
Para você entender a importância disso, vamos comparar. Uma pessoa com ansiedade comum muitas vezes se pergunta se f41.2 pode ser demitido, e a resposta triste é que sim, ela pode, pois é doença comum. Já você, que se acidentou no serviço, tem o emprego garantido por um ano inteiro. A empresa tem que te engolir ou te indenizar esse período todo.
Indenização: O preço da dor
Além de ficar em casa recebendo e ter o emprego garantido na volta, o CID acidente de trabalho pode gerar indenizações em dinheiro. Se você ficou com alguma sequela — como uma cicatriz feia, um dedo que não dobra mais ou uma dor crônica nas costas —, a empresa pode ter que pagar.
Existem três tipos de reparação pelo acidente do trabalho:
- Danos Morais: Pelo sofrimento e dor que você passou.
- Danos Estéticos: Se a aparência do seu corpo mudou.
- Danos Materiais: Se você perdeu força de trabalho e agora ganha menos ou tem mais dificuldade.
Muitas vezes, o trabalhador pesquisa por cid de acidente no trabalho na internet para ver se o caso dele se encaixa, mas esquece de guardar as provas. Guarde tudo: fotos do local do acidente, laudos médicos, receitas e a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).
A importância da CAT
A CAT é o documento oficial que registra o ocorrido. Se a empresa se recusar a abrir a CAT, o seu sindicato ou até o seu médico pode fazer isso. Ter a CAT emitida com o CID acidente de trabalho registrado é meio caminho andado para garantir seus direitos.
Às vezes, o médico do hospital anota apenas a lesão e esquece a causa. Se no seu atestado estiver escrito algo como acidente de trabalho CID indefinido ou sem a causa externa, peça para corrigir. O detalhe faz a diferença no bolso.

Quando procurar ajuda especializada
O sistema do INSS é complicado e as empresas, muitas vezes, tentam esconder que foi acidente para não pagar impostos. Se o seu benefício saiu como “comum” (B31) em vez de “acidentário” (B91), ou se a empresa te demitiu doente, é hora de buscar apoio.
Um advogado de previdência experiente pode pedir a conversão do benefício na Justiça. Ele vai provar que o seu problema de saúde veio do serviço. Isso garante os atrasados do FGTS, a estabilidade e, claro, as indenizações por danos que a empresa causou.
Não aceite que digam que sua dor é “coisa da idade”. Se aconteceu na empresa ou por causa dela, o CID acidente de trabalho é o seu direito.
Seja para garantir o depósito do FGTS, para ter tranquilidade de não ser demitido ou para receber uma indenização justa pela sequela, esse código médico é valioso. Cuide da sua saúde, mas não deixe de cuidar dos seus direitos. Você dedicou sua vida ao trabalho, e a lei deve proteger sua dignidade quando o corpo pede socorro.
Lembre-se: o CID acidente de trabalho não é apenas um número no papel, é a prova da sua história e do seu sacrifício.

















