Osteófitos Marginais: como comprovar incapacidade para o INSS?

Osteófitos Marginais: como comprovar incapacidade para o INSS?

Osteófitos marginais

Osteófitos marginais é o nome técnico para o famoso “bico de papagaio” que aparece no exame da coluna e assusta muita gente. Quando você recebe esse diagnóstico, a primeira pergunta que vem à cabeça é: “será que isso é grave e vai me impedir de trabalhar?”. A dor nas costas começa como um cansaço no fim do dia, mas pode evoluir para pontadas que travam seus movimentos e tiram o sono.

Quem tem mais de 50 anos sabe bem do que estou falando. A coluna parece ficar rígida, abaixar para amarrar o sapato vira um sacrifício e ficar muito tempo na mesma posição é tortura. Se você depende do seu corpo para ganhar o pão, o medo do futuro é real.

Neste texto, vamos conversar de forma simples sobre o que é esse problema, quando ele dá direito a benefícios no INSS e, o mais importante, como provar para o perito que a sua dor não é fingimento.

Traduzindo o Osteófitos marginais

Para começar, vamos traduzir o “médiquês”. Quando o laudo diz que você tem osteófitos marginais, ele está dizendo que o seu corpo tentou se defender do desgaste. 

Com o passar dos anos e o esforço, os discos da coluna se desgastam e o corpo cria “pontinhas de osso” nas bordas das vértebras para tentar estabilizar a coluna.

O problema é que essas pontinhas (os bicos) podem encostar em nervos e outras estruturas. É aí que a dor aparece. 

Muitas vezes, esse achado vem acompanhado de outras alterações, como o abaulamento discal, que é quando o amortecedor entre os ossos começa a deformar, mas ainda não estourou como uma hérnia.

Saber diferenciar é importante: o abaulamento é no disco (parte mole), os osteófitos marginais são no osso (parte dura). Quando os dois se juntam, a dor costuma ser mais intensa.

Osteófitos marginais

Nem todo bico de papagaio aposenta

Aqui precisamos ser muito honestos para você não criar falsas esperanças. Ter o diagnóstico escrito no papel não garante a aposentadoria automática. O INSS avalia a incapacidade, não a doença.

Se o seu exame mostra osteófitos marginais incipientes, isso significa que o problema está bem no começo. “Incipiente” quer dizer inicial, pequeno. Geralmente, nessa fase, a dor é controlável com fisioterapia e remédios, e o perito do INSS costuma negar o benefício porque entende que você ainda consegue trabalhar.

A situação muda quando o quadro é avançado. Se os bicos de papagaio estão grandes e comprimindo nervos, causando formigamento nos braços ou pernas e perda de força, aí sim a incapacidade pode ser reconhecida.

Quando o problema está nos “Corpos Vertebrais”

Você pode ler no seu laudo, o CID que diz respeito ao termo osteófitos marginais nos corpos vertebrais

Isso apenas especifica o local exato na coluna onde o osso cresceu. Se isso acontecer na região lombar (fundo das costas) e você trabalha pegando peso, como pedreiro ou faxineira, a limitação é óbvia.

A coluna perde a flexibilidade. O perito precisa entender que, para a sua profissão, uma coluna travada é sinônimo de impossibilidade de trabalho. Já para quem trabalha sentado digitando, o INSS pode ser mais rigoroso, exigindo provas de que a dor impede a concentração ou o movimento dos braços (no caso de problema na cervical).

Como montar a prova perfeita para o INSS

O maior erro de quem tem osteófitos marginais é chegar na perícia apenas com um Raio-X antigo e um atestado simples dizendo “dor lombar”. Isso é o caminho certo para ter o benefício negado.

Para convencer o perito, você precisa de um “dossiê da dor”:

  1. Exames de Imagem: O Raio-X mostra os osteófitos marginais, mas a Ressonância Magnética é melhor para mostrar se eles estão apertando os nervos. Tente levar exames com menos de 6 meses.
  2. Relatório Médico Detalhado: Peça para seu médico escrever o que você não consegue fazer. Em vez de só colocar o nome da doença, ele deve escrever: “Paciente com limitação severa para flexão da coluna”, “impossibilitado de carregar peso acima de 5kg”, “dor crônica refratária a medicamentos”.
  3. Histórico de Tratamento: Leve as receitas de anti-inflamatórios e comprovantes de fisioterapia. Isso prova que você não está acomodado, mas sim lutando para melhorar e a dor persiste.
Osteófitos marginais

Dica de ouro para a perícia

No dia da avaliação, não tente enganar. Se você tem osteófitos marginais, sua coluna é rígida de verdade. Não force movimentos que você não consegue fazer, mas também não finja que está paralisado se não estiver.

O perito é treinado para pegar simulações. A melhor estratégia é a sinceridade. Mostre onde dói, explique como a dor atrapalha seu serviço específico e apresente a documentação organizada.

Resumo para você não esquecer

Ter osteófitos marginais é sinal de que seu corpo trabalhou muito e agora pede cuidados. Não é o fim da linha, mas exige atenção. Se for apenas inicial (incipiente), foque no tratamento para não piorar.

Se for grave e nos corpos vertebrais, impedindo seu sustento, o INSS é seu direito e um bom advogado pode ajudar a garantir o benefício. Organize seus exames, tenha um bom relatório médico em mãos e busque sua proteção. Sua saúde vale mais que qualquer burocracia.

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