Estudo revela as diferenças de saúde entre homens e mulheres

Uma pesquisa recente publicada na revista científica The Lancet Public Health trouxe à tona diferenças significativas na saúde e longevidade entre homens e mulheres. Analisando dados das 20 principais causas de doença e morte em todo o mundo, o estudo revela que mulheres tendem a viver mais do que os homens, mas frequentemente com saúde pior. A pesquisa, conduzida por uma equipe internacional, destaca como fatores biológicos e sociais influenciam a expectativa e a qualidade de vida de ambos os sexos.

Segundo o estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Washington e da Universidade da Califórnia (EUA), mulheres sofrem com mais frequência de dor lombar, depressão e dores de cabeça. Em contraste, homens têm vidas mais curtas devido à maior incidência de acidentes de trânsito, doenças cardiovasculares e, mais recentemente, Covid-19, que são causas potenciais de morte prematura.

 

Diferentes avaliações de transtornos mentais

A pesquisa aponta ainda que há um viés nos sistemas de saúde que leva ao diagnóstico mais frequente de transtornos mentais em mulheres. Em contrapartida, homens são menos propensos a buscar ajuda para problemas de saúde mental devido a normas masculinas que desencorajam a procura de apoio.

Outro ponto destacado é a questão das dores musculoesqueléticas, como a dor lombar, que afeta mais as mulheres. Fatores biológicos, como a sensibilidade à dor devido à flutuação hormonal, diferenças no formato do esqueleto e o estresse físico da gravidez, são mencionados como possíveis causas.

A análise de dados de 1990 a 2021 pela equipe de pesquisadores revelou um padrão consistente: embora várias condições tenham apresentado taxas decrescentes ao longo do tempo, a diferença entre homens e mulheres permaneceu estável. As condições que afetam desproporcionalmente as mulheres, como dor lombar e transtornos depressivos, mostraram uma redução muito menor em comparação com aquelas que afetam mais os homens.

O estudo sugere que a tendência dos sistemas de saúde globais tem sido focar na saúde reprodutiva das mulheres, negligenciando outras necessidades de saúde importantes. Para fechar a lacuna entre homens e mulheres, os pesquisadores defendem a coleta de dados mais detalhados e específicos sobre sexo (atributos biológicos) e gênero (papeis socialmente construídos). A pandemia de Covid-19 é citada como um exemplo de como dados mais precisos poderiam ter direcionado melhor as intervenções de saúde.

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