CID e66 é o código que aparece no laudo médico quando o excesso de peso deixa de ser apenas uma questão estética ou de balança e passa a ser tratado como um sério problema de saúde. Quem convive com a obesidade sabe que não é fácil.
A luta diária contra o próprio corpo, o cansaço ao andar, as dores nos joelhos e a falta de ar transformam tarefas simples, como amarrar o sapato ou passar pela roleta do ônibus, em grandes desafios.
Muitas pessoas sofrem caladas, achando que a dificuldade para trabalhar é “culpa delas” ou falta de força de vontade. Mas a verdade é que o CID e66 é uma doença crônica reconhecida mundialmente, e quando ela impede você de ganhar o seu sustento, a lei previdenciária precisa entrar em cena para te proteger.
Se você sente que seu corpo não aguenta mais o tranco do trabalho e quer saber se tem direito a se encostar ou se aposentar pelo INSS, vamos conversar de forma bem simples sobre como isso funciona.
CID e66: tudo que você precisa saber
A primeira coisa que você precisa saber é que o CID e66 sozinho nem sempre garante a aposentadoria automática. O INSS não aposenta ninguém apenas pelo diagnóstico ou pelo número que aparece na balança. O perito avalia a incapacidade.
Isso significa que o médico do INSS quer saber: o seu peso te impede de exercer a sua profissão? Se você trabalha sentado num escritório, talvez o impacto seja menor. Mas se você é cozinheira, vigilante, faxineira ou pedreiro, carregar o excesso de peso durante 8 horas por dia pode destruir suas articulações e sua coluna.
Muitas pessoas pesquisam cid e66 o que significa para entender seus direitos. Basicamente, esse código diz que existe um acúmulo excessivo de gordura que prejudica a saúde. Quando esse acúmulo chega ao nível de “Obesidade Mórbida” (Grau III), a chance de conseguir o benefício aumenta, pois o corpo já está no limite.

Quando o corpo traz outras doenças junto
Raramente a obesidade vem sozinha. Ela costuma trazer “amigas” indesejadas que agravam a situação. É muito comum que o laudo de CID e66 venha acompanhado de problemas como pressão alta, diabetes e problemas cardíacos.
Para o perito, essas combinações são explosivas. Se você tem, por exemplo, CID insuficiência cardíaca causada pelo esforço que o coração faz para bombear sangue num corpo maior, a incapacidade fica muito mais evidente. O coração cansado somado ao peso excessivo torna impossível qualquer trabalho braçal.
O segredo para conseguir o benefício não é focar apenas na gordura, mas em todo o estrago que ela fez no seu corpo. Joelhos gastos (artrose), coluna travada e falta de ar são os argumentos que convencem o perito.
Auxílio-doença ou aposentadoria?
Geralmente, o caminho começa pelo Auxílio por Incapacidade Temporária (o antigo auxílio-doença). O INSS entende que o CID e66 pode ser tratado. O governo te afasta do trabalho para que você possa fazer dieta, fisioterapia ou até mesmo uma cirurgia bariátrica.
Durante esse tempo, você recebe para cuidar da saúde. Se, após anos de tratamento, cirurgias e tentativas, o médico concluir que não tem jeito, que o quadro é irreversível e que você não consegue fazer mais nada, aí sim o benefício pode virar aposentadoria por invalidez.
Muitas vezes, nos relatórios médicos, o código pode aparecer invertido ou resumido, como e66 cid, mas o valor legal é o mesmo. O importante é a descrição das suas limitações no papel: “paciente com mobilidade reduzida”, “dispneia aos médios esforços”, “impossibilidade de permanência em pé”.
A discriminação e o direito
Infelizmente, quem tem CID e66 sofre muito preconceito. Patrões que não contratam, cadeiras que não cabem, uniformes que não servem. Se o ambiente de trabalho não é adaptado para você e isso te causa dores ou piora sua saúde, isso conta pontos na perícia.
A lei diz que a obesidade mórbida pode ser equiparada a uma deficiência em alguns casos, garantindo acesso a benefícios assistenciais (BPC/LOAS) se a pessoa for de baixa renda e nunca tiver contribuído para o INSS.
Preparando a documentação certa
Não chegue na perícia apenas com a sua palavra. Para provar a gravidade do CID e66, você precisa de um “dossiê” médico:
- Laudo do Endocrinologista: Deve constar seu IMC (Índice de Massa Corporal), há quanto tempo você trata e que a obesidade é refratária (difícil de tratar).
- Laudos Complementares: Do cardiologista (falando do coração), do ortopedista (falando dos joelhos e coluna) e do psiquiatra (se houver depressão associada).
- Exames: Leve tudo que comprova o desgaste do corpo.
O código oficial completo é cid 10 e66, e ele abrange desde a obesidade por excesso de calorias até a obesidade por problemas hormonais. Verifique se o médico anotou tudo certo.

Dicas que podem ajudar
No dia da avaliação do CID e66, seja honesto sobre sua rotina. Conte como é difícil tomar banho, como é difícil dormir (muitos têm apneia do sono e acordam cansados) e como a dor impede você de cumprir horário.
Não tenha vergonha do seu corpo na frente do médico. Ele precisa ver o inchaço nas pernas, as feridas de atrito na pele e a dificuldade de locomoção. É essa realidade dura que garante o seu direito.
O CID e66 não é uma sentença de sofrimento eterno. Se o peso está tirando sua dignidade no trabalho, o INSS deve te amparar.
Seja para um tempo de tratamento com a bariátrica ou para o descanso definitivo da aposentadoria, você tem direitos. Organize seus papéis, cuide da sua saúde mental e não deixe ninguém dizer que você não merece ajuda. Seu corpo conta a sua história de luta.















